Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira – ASMOCONP
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História em Quadrinhos

Fomento Banco Palmas

Introdução


Fortaleza é um dos roteiros de viagem mais conhecidos no Brasil.







O Nodeste do Brasil é muito pobre. Ao redor de seus luxuosos apartamentos existem quilômetros e quilômetros de favelas. Os habitantes destas favelas levam uma vida muito marginalizada. Muitos deles, fugiram do interior para a cidade na esperança de melhorar de vida.


O Conjunto Palmeiras também é um bairro muito pobre. Contudo, a maioria de seus 30.000 habitantes não vieram do interior. Para oferecer lugar a atual região foto turística, os habitantes anteriores do litoral foram transferidos pela prefeitura para um terreno baldio na periferia da cidade situado a mais de vinte quilômetros do mar!




O bairro foi nomeado ironicamente Conjunto Palmeiras, enquanto que não se avistava nenhuma palmeira! Este terreno foi loteado e cada morador recebeu um pedacinho de terra. E isso foi tudo. Não havia estradas, ruas, eletricidade nem esgoto.



O despejo e a ocupação em conjunto de um novo pedaço de terra fortaleceu o sentimento de municipalidade dos moradores anteriores foto do litoral. Estes moradores organisaram uma associação e se agruparam para melhorar as condições de vida do bairro. Como a prefeitura só prometia e não fazia nada, a associação de moradores coletou dinheiro e alugou uma escavadora: assim eles escavaram valas por onde eles puderam desviar o esgoto! O esgoto foi construído e agora existe até uma fonte de tratamento de esgoto. Na foto ao lado podemos ver no lado direito o gradeamento do mesmo.

A associação de moradores e o Banco Palmas
A associação chama-se ASMOCONP (ASsociação dos MOradores do CONjunto Palmeiras). Atualmente eles têm um edifício próprio no centro do bairro que funciona como ponto de encontro dos moradores.

O edifício da ASMOCONP é usado para uma série de iniciativas que visam melhorar o bairro.
Uma delas é o Banco Palmas, uma espécie de banco comunitário dos próprios moradores do bairro onde foi implantado o crédito mútuo o qual através de subsídios garante a implantação de entre outros o microcrédito. Os próprios moradores do bairro, na sua maioria jovens entusiasmados, cuidam dos serviços bancários, estes ainda contam com a ajuda de algumas pessoas, que não pertencem ao bairro mas que são muito motivadas.




Jaqueline é administradora das finanças do projeto de microcrédito. Ela também é moradora do bairro, como a maioria das pessoas que trabalham no Banco Palmas. O ponto de partida ainda continua o mesmo: os próprios moradores do bairro cuidam e podem desenvolver os projetos.

Atividades do Banco Palmas
1. O PalmaCard
As pessoas que trabalham no Banco Palmas pensaram muito sobre os problemas econômicos de seu bairro. Muitos estão cada vez mais cientes de que a concessão de microcrédito num bairro onde todos vivem de salário mínimo ou menos tende a direcionar-se quase que automaticamente a clientes fora do bairro. Tendo em conta o passado dos moradores do bairro, seria lógico aspirar pelo fortalecimento dos laços (econômicos) entre os mesmos, por isso o PalmaCard foi criado.


O PalmaCard é uma solução única para o problema da falta de poder de compra do bairro no qual os empresários locais se encontram. Através do PalmaCard o Banco Palmas oferece também crédito ao consumo a particulares do bairro. O PalmaCard funciona exatamente como um cartão de crédito: os moradores que o possuem podem comprar no fim da semana ou no fim do mês nas empresas cadastradas e pagar depois. Dessa maneira o círculo de compra e venda é realizado dentro do próprio bairro: crédito de investimento para os proprietários é acoplado ao crédito para os consumidores. Assim, os produtos oferecidos pelos proprietários também têm saída. Como acontece em toda macroeconomia!

2. Microcrédito





Há vários exemplos de proprietários locais que com a ajuda do microcrédito conseguiram se firmar no mercado. Um exemplo destes é o salão do bairro que dentro de um ano passou de um à três funcionários e neste momento está se mudando para um local maior graças ao microcrédito. Aqui e em vários outros negócios do bairro pode se pagar com o PalmaCard. Quem quiser obter um PalmaCard tem que ter um bom nome no bairro. Os moradores do bairro e os donos de lojas assumem juntos as responsabilidades do pagamento do crédito que foi usado. É claro que todos assinam uma declaração de dívida. No bairro inteiro, como podemos ver na foto acima, vê-se placas dizendo: Cartão de Crédito, Palmacard, Banco Popular do Conjunto Palmeiras. Isto significa que aqui pode se pagar com o Palmas. A ASMOCONP / Banco Palmas fazem de tudo para diminuir o sentimento de minoridade do bairro e estão conseguindo. Os moradores contam com orgulho que moram no "bairro que possui um banco próprio ". Todas estas atividades fortalecem a auto-estima dos moradores do bairro de modo que eles não fiquem dependentes e apáticos, só esperarando pela ajuda da assistência social.


As favelas do Brasil são bem diferentes das que a maioria dos holandeses conhecem através da Índia. No conjunto Palmeiras há muito verde, também entre as casas. Lá os moradores têm uma chance de produzir para seu próprio consumo na forma de jardins comunitários, o que dá uma visão totalmente diferente do bairro e dos próprios moradores.

Atrás do prédio do Banco Palmas encontra-se um Laboratório de Agricultura Urbana. Lá é observado quais plantas podem prosperar no solo do bairro e foto quais podem ser cultivadas ao redor das casas. Lá encontram-se à disposição dos moradores várias espécies de plantas, todas com etiquetas, prontas para serem cultivadas.

Trabalhar para ter renda própria é muito importante para a auto-estima dos moradores, assim eles também se sentem valorizados fora do bairro.
Por isso o Banco Palmas organiza também uma espécie de agência de foto empregos. Às vezes, encontram-se umas 100 pessoas na associção dos moradores esperando por um emprego. Na foto ao lado vemos uma moradora se inscrevendo.










Unidade de troca local e Strohalm
As atividades dos moradores e a idéia inovativa do Palmacard chamou a atenção da Strohalm. O Banco Palmas pareceu ter em vários pontos de vista a mesma análise da Strohalm, de modo que era evidente uma foto cooperação para desenvolver um plano para reorganisar fundamentalmente os fluxos monetários que chegam ao bairro.

Foto(da esquerda para a direita) Henk van Arkel(Strohalm) e Sandra Magalhães, Jaqueline Silva Du Tra, João Joaquim.







A auto-estima dos moradores foi bastante estimulada pela introdução da unidade de troca local: O Palmas. O Banco Palmas organisa mercados onde as pessoas podem vender produtos fabricados por elas mesmas ou oferecer serviços em troca de outros produtos ou serviços. Desse modo os moradores se conscientizam que têm algo para oferecer às outras pessoas.

A Strohalm tem muita experiência com sistemas de trocas mútuas na Holanda e na Argentina, entre outros países, e sabe muito bem como introduzir este método e qual abordagem deve ser evitada quando se quer realisar um sistema de troca sustentável e ativo.

 

Fomento
A Strohalm desenvolveu para o Banco Palmas uma nova maneira para dar um impulso ao desenvolvimento local com a ajuda da moeda local. A Organisação Holandesa de Desenvolvimento, ICCO, financiou este projeto. O Banco Palmas recebeu do ICCO recursos financeiros para construir uma escola mas cedeu uma grande percentagem do dinheiro, sob orientação da Strohalm, para empréstimos de microcrédito. Isto não é uma fraude nem aproveitamento de dinheiro destinado ao desenvolvimento do bairro. Pelo contrário. Através de uma abordagem especial, chamado método Fomento, estes recursos financeiros foram utilizados de uma maneira muito mais efetiva. No contrato de empréstimo de microcrédito tinha uma cláusula notável: a dívida também poderia ser paga com o Palmas, a unidade de troca local.



Como estes empreitadores estavam dispostos a aceitar o Palmas, o Banco Palmas pôde pagar os pedreiros que construíram a escola com esta unidade de troca local. Os pedreiros aceitaram o Palmas pois sabiam que poderiam usá-lo em várias lojas dentro do bairro. As unidades de troca que os pedreiros ganharam encontraram o caminho das empresas locais cadastradas através do mercado de troca local, entre outros. Assim, o mesmo dinheiro foi usado três vezes: - como pagamento pela escola; a escola foi realmente construída - como empréstimo de microcrédito: os empresários locais tiveram a chance de investir - como moeda local: o dinheiro utilizado para o pagamento dos pedreiros da escola circularam no local: no mercado de troca local ou em lojas locais.
Sob pedido da Strohalm a Universidade da Bahia monitorou o projeto. Através desta pesquisa concluiu-se que os recursos financeiros cedidos pelo ICCO foram usados muito mais efetivamente do que se a escola tivesse sido construída de uma maneira convencional.

Uma das próximas fases de desevolvimento do bairro compreende projetos onde os moradores, sob a orientação do Banco Palmas, podem iniciar uma pequena empresa, como por exemplo: Incubadora Feminina, um projeto que tem como objetivo inserir socialmente mulheres em situação de risco pessoal e social através do trabalho.




O Palma Fashion faz parte deste projeto e foi pensado para ajudar mulheres que por causa de vício em drogas, extrema violência doméstica, entre outros, vivem excluídas da sociedade. No ateliê, elas recebem uma nova chance. O Palma fashion é um sucesso. As roupas que elas fazen são vendidas antes de estarem prontas.











O Palma Fashion produz uma coleção variada de confecções, bolsas, sapatos, como se pode ver nas fotos acima.
Vários jovens desempregados também receberam ajuda para montar uma empresa de material de limpeza: o Palmalimpe.





Produtos do Palmalimpe

O desenvolvimento do Conjunto Palmeiras continua. A estratégia usada pelo Banco Palmas para chegar até este ponto consiste num inventário para saber quais projetos podem ser abordados. Assim foi criado o programa Plies. Para realizar este inventário os moradores foram entrevistados e assim foi observado quais eram as necessidades e quais soluções poderiam ser tomadas para melhorar as condições do bairro.

Pequenas empresas como o Palmalimpe deverão tornar-se autônomas e produzir em maiores quantidades. Agora os rapazes têm bastante experiência, não somente em fazer e vender bons produtos mas também em fazer a própria administração, em lidar com o imposto de renda, etc. E por fim ter acesso a créditos maiores para realizar uma produção a nível industrial(ao invés de produção caseira). Agora estas empresas devem concretizar seus planos e tornarem-se sustentáveis.

PLIES não esquece dos pequenos negócios. Há também um programa que visa iniciar alguns ateliês caseiros de costura(veja fotos) e de fabricação de porta-frascos de palha.

O Conjunto Palmeiras está saíndo da pobreza. Ao invés de barracos estão aparecendo cada vez mais casas restauradas no bairro. Muitas vezes o dinheiro acaba e as casas ficam por terminar, esperando um novo impulso. Isto é uma prova de emancipação social?

O sucesso do Banco Palmas está chamando a atenção de universidades, pesquisadores, associações de moradores de outras cidades, etc. Até agora o bairro não tem nenhum hotel ou pousada e as pessoas têm que se hospedar a 25km do bairro no centro da cidade.
Assim, o dinheiro dos visitantes vai sem dúvida parar nas mãos de grandes redes de hotéis e táxis. Por isso foi decidido, através do programa PLIES, construir uma pensão ao lado do Banco Palmas. Na foto podemos ver o lugar onde a pensão será construída. Quem sabe, se um dia você for de férias a Fortaleza, terá um lugar interessante para se hospedar e assim poder conhecer o outro lado do Brasil.

Mais impressões do bairro
As pessoas do bairro estimulam umas às outras a terem mais iniciativas, procuram quando é necessário orientação através de outras experiências em outros lugares e tentam trabalhar o máximo possível através das próprias forças. Em todos os lugares do bairro vê-se que as pessoas estão confiando cada vez mais em si mesmas e estão melhorando suas casas, sua situação e o ambiente em que vivem.








Há também outras iniciativas importantes no bairro que ajudam a combater a apatia e ajudam pessoas com imagem negativa de si mesmas.

Para isto foi criada uma escola de circo no bairro, mais uma maneira de aumentar a auto-estima dos moradores. Nesta escola recebem umas 50 crianças aulas de instrutores profissionais de circo.






Há também no bairro uma estação de rádio local: Rádio Santo Dias, uma nova emoção no ar. Nesta estação de rádio o Banco Palmas tem toda semana um horário de emissão para informar os moradores sobre o desenvolvimento e as mais novas atividades. Na foto acima, Jaqueline.

Muitas lojas e barzinhos são gradeados. Alcool é um problema que também existe no Conjunto Palmeiras.

Mas, ao mesmo tempo, o que chama a atenção é que as roupas ficam naturalmente penduradas no varal à noite e as bicicletas dificilmente se encontram no cadeado o que mostra que bicicletas lá não são roubadas com frequência.

Há também uma creche muito especial para crianças com problemas em casa e que não têm brinquedos nem livros. Na foto abaixo podemos ver a diretora do projeto... com quem as crianças realmente podem aproveitar seu tempo de criança, brincando colorindo e lendo. Para as crianças um pouco mais velhas há um ateliê onde elas podem desenvolver seus talentos.







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